A Visão Bíblica da Igreja Multiplicadora
No livro de Atos dos Apóstolos encontramos os VALORES que levaram aquela Igreja à multiplicação, ainda que vivendo em tempos tão difíceis de perseguições e falta de recursos financeiros e tecnológicos, surpreendeu o mundo com tão grande crescimento. E dessa visão bíblica nasceu a visão “Igreja multiplicadora”, adotada pela Junta de Missões Nacionais e praticada por seus missionários espalhados por este imenso país, onde vivem pessoas de culturas tão distintas mas com uma necessidade em comum – a salvação de suas almas.
ORAÇÃO. A Igreja descrita no livro de Atos praticava a oração em todas as circunstâncias. Aqueles cristãos oravam na alegria e na dor; oravam enquanto livres e oravam nos períodos de perseguições; e a oração tornou-se uma estratégia para todas as atividades que realizavam desde o início de sua existência e por isso a encontramos orando já no início, enquanto aguardavam a vinda do Espírito Santo. “E, unidos, todos se dedicavam à oração, juntamente com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele” Atos 1.14. E continuaram durante toda caminhada em oração “E eles perseveravam no ensino dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações” Atos 2.42. E assim, ficamos impressionados ao descobrir que esta Igreja priorizava a oração e que por vinte e nove vezes a encontramos orando, conforme as referencias bíblicas a seguir (Atos 1.13-14, 24; 2.42; 3.1; 4.24-31; 6.4 e 6; 7.59 e 60; 8.15-17 e 24; 9.11 e 40; 10.2, 9 e 30-31; 11.5; 12.5 e 12; 13.3; 14.23; 16.13, 16 e 25; 20.36; 21.5; 22.17; 27.29 e 35).
EVANGELIZAÇÃO. O apóstolo Paulo entendeu a importância da semeadura abundante da palavra de Deus e escreveu: “Mas digo isto: quem pouco semeia, pouco também colherá; quem semeia com generosidade, também colherá generosamente” II Cor. 9.6. E se tornou um dos maiores exemplos na pregação do evangelho de Jesus Cristo e podia dizer com toda coragem e força de seus pulmões “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê; primeiro do Judeu e também do Grego” Rom. 1.16. Não podemos pensar no crescimento e multiplicação da Igreja de Atos sem considerar seu trabalho incansável na evangelização, que era praticado por todos seus membros e não apenas os apóstolos e líderes. Pregar o evangelho era responsabilidade de cada cristão no primeiro século, e, essa atividade tornou-se um estilo de vida. Encontramos no livro sessenta e duas referencias à evangelização, conforme selecionadas abaixo. (Atos 1.8; 2.14-21, 38-41; 3.6, 11-19; 4.1-12, 29-31, 33; 5.21, 25, 30-31, 42; 6.7; 7.1-58; 8.4-5, 21-22, 25, 26-38, 40; 9.20, 42-43; 10.22, 33-43; 11.19, 20; 13.5, 7, 12, 38-39, 44-48; 14.1, 6-7, 21-22, 25; 15.35; 16.10, 13-14, 30-32; 17.2-3, 12-13, 17, 19-22; 18.4-5, 8, 28; 19.8, 10, 17-18; 20.2-3, 7, 20; 21.8; 22.15-16, 21; 23.11; 24.14-16, 24; 26.20-21, 27-28; 27.25; 28.23, 31). A missão de cada crente é semear abundantemente o evangelho de Jesus Cristo e poderá fazê-lo através do filme Jesus, pequenos grupos para estudos bíblicos nos lares ou escolas, narração de histórias bíblicas, evangelismo pessoal, programas de rádio, música e teatro.
COMPAIXÃO. Ações de compaixão fizeram com que a Igreja de Atos se tornasse relevante na comunidade. Aquela Igreja orava e testemunhava de Jesus às pessoas, mas tinha um coração compassivo, à semelhança do Mestre, que via as pessoas, como gente e também via suas necessidades de alimento, cura, libertação, operando muitos milagres no meio do povo. Para conhecer as pessoas precisamos andar no meio delas, como Jesus e os apóstolos fizeram. Jesus ofereceu àquelas pessoas a satisfação de suas necessidades. Encontramos nesse livro vinte oito ações de compaixão praticadas pela Igreja de Jesus naqueles primeiros anos de sua existência, conforme seleção a seguir. (Atos 2.44-46; 3.3-8; 4.34-37; 5.1-2 e 14-16; 6.1-2; 8.2, 7-8; 9.8, 32-34 e 36; 10.2, 23; 11.29-30; 14.8-10; 16.16-18 e 33-34; 19.12-13; 20.10 e 34-35; 22.12-13; 23.10 e 24; 27.3 e 43; 28.3, 8, 9 e 14). Percebe-se que esta Igreja, ainda na tenra idade, sabia que o ministério a desenvolver deveria ser integral. Seu cuidado com as pessoas fez com que caísse na graça de todo o povo.DISCIPULADO. Este é um dos assuntos mais importantes de toda Bíblia. O discipulado é a única estratégia capaz de alcançar o mundo e Jesus a apresentou a dois mil anos atrás, na grande comissão: “Toda autoridade me foi concedida no céu e na terra. Portanto, ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-lhes a obedecer a todas as coisas que vos ordenei; e eu estou convosco todos os dias, até o final dos tempos” Mat. 28.18-20. Fazer discípulos é completar a obra, e deveria ser, portanto, nosso principal trabalho. Discipulado é mais do que ter um grupo de pessoas no culto, ou em uma sala estudando um livro, é treinar os novos crentes para que deem continuidade à obra de evangelização do mundo. No livro de Atos encontramos trinta e duas referencias ao discipulado/ensino dos novos discípulos (Atos 2.42-47; 5.25 e 42; 8.12-13 e 31-38; 9.10, 19 e 26-27; 11.23-24; 12.25; 13.43; 14.21-22 e 28; 15.32, 35, 36 e 41; 16.4, 15, 33 e 40; 17.2; 18.11, 23 e 27; 19.8-9; 20.2-3, 18-20, 24, 31 e 35; 28.31). Entendemos que o verdadeiro discípulo se multiplica através do discipulado de outras pessoas.
FORMAÇÃO DE LÍDERES. Não podemos pensar na multiplicação de crentes e Igrejas sem a multiplicação de líderes. O líder deve se assegurar de que os discípulos estejam sendo treinados adequadamente e que estejam investindo nos novos crentes através de um programa de discipulado imediato; mas também observar aqueles que se destacam com perfil de liderança ou líderes em potencial e treiná-los para a plantação e multiplicação de Igrejas. Em Atos encontramos treze referencias para a formação de novos líderes conforme segue abaixo (Atos 1.26; 6.3; 11.25-26; 12.25; 13.1, 5; 15.37-40; 16.1; 18.24- 25; 19.10, 22; 20.3-4; 21.8).MULTIPLICAÇÃO. O líder que deseja ver sua igreja crescendo e se multiplicando continuamente, ele mesmo, precisa ser um agente multiplicador, pois a multiplicação dos crentes e igrejas é a melhor maneira de se assegurar que todas as pessoas do grupo-alvo terão a oportunidade de ouvir o evangelho. Para evangelizar e discipular cada pessoa em solo brasileiro, é necessário que cada cristão assuma seu ministério sacerdotal, pois, biblicamente, cada crente é um ministro. No livro de Atos encontramos dezoito referencias à multiplicação, (Atos 1.15; 2.41 e 47; 4.4; 5.14; 6.1; 9.31; 11.21; 12.24; 13.49; 14.1; 16.5; 17.4, 12 e 34; 19.20; 21.20; 28.31). O que nos motiva é a ação da Igreja, que independentemente da presença dos apóstolos, se multiplicava, Atos 8.1.
